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FISIOTERAPIASCDR. CLEITON FAÇANHA
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Próteses Ortopédicas: A Ciência do Encaixe e a Reabilitação do Amputado

As fases de preparação do coto, a seleção técnica de componentes mecânicos e treinos de marcha.

A perda de um membro inferior exige um processo de adaptação física, fisiológica e funcional. O avanço da tecnologia assistiva e dos protocolos de reabilitação modificou as perspectivas de mobilidade, tornando o retorno à marcha independente um objetivo viável. Para que essa transição ocorra de forma segura, a protetização deve ser conduzida como uma jornada terapêutica integrada, na qual o ajuste preciso do encaixe determina o sucesso de todo o tratamento clínico.

Fase pré-protética: Enfaixamento compressivo e dessensibilização

A jornada de reabilitação inicia-se na fase pré-protética, realizada logo após a cicatrização cirúrgica. Esse período é dominado por dois pilares: o enfaixamento compressivo e os estímulos de dessensibilização do coto de amputação. Após o procedimento cirúrgico, o membro remanescente apresenta volume flutuante e edema. O enfaixamento com faixas elásticas aplica uma pressão externa gradual que auxilia no retorno venoso, reduz o inchaço e modela o coto em um formato cônico ou cilíndrico adequado para o futuro acoplamento do cartucho protético.

Paralelamente, aplicam-se técnicas de dessensibilização cutânea. Devido ao seccionamento nervoso da amputação, o paciente pode manifestar hipersensibilidade local ou o fenômeno da dor fantasma. Por meio de texturas variadas, pressões manuais controladas e estímulos térmicos, reorganizam-se os mapas somatossensoriais no sistema nervoso central. Esse trabalho atua na redução das respostas dolorosas e prepara a pele e os tecidos profundos do coto para suportar as cargas de compressão e descarga de peso que ocorrerão durante a caminhada.

Componentes técnicos: Liners, articulações e lâminas de carbono

A seleção dos componentes da estrutura mecânica da prótese é uma decisão individualizada, baseada no nível de amputação, no peso e no nível de atividade funcional projetado para o usuário. Na interface direta com a pele, os liners de silicone ou poliuretano exercem a função de amortecimento, atuando como uma barreira protetora que absorve impactos, distribui as forças de cisalhamento e garante a suspensão através de conexões com pinos ou sistemas de vácuo.

Para amputações acima do joelho (transfemorais), articulações mecânicas policêntricas ou hidráulicas oferecem estabilidade na fase de apoio da marcha e flexão livre na fase de balanço, reduzindo o risco de tropeços. Na extremidade inferior, os pés confeccionados em fibra de carbono modificaram a dinâmica de mobilidade. As lâminas de carbono possuem a propriedade mecânica de absorver a energia cinética no momento em que o calcanhar toca o solo e restituí-la em forma de propulsão no final do passo. Essa dinâmica diminui o gasto energético do paciente, resultando em uma caminhada natural em diferentes superfícies.

Adaptação e alinhamento dinâmico residencial

A eficiência dos componentes de fibra de carbono depende diretamente da adequação do encaixe (o cartucho que recebe o coto). O alinhamento correto evita pontos de pressão excessiva e lesões na pele do paciente. O diferencial clínico ocorre quando o profissional responsável pela reabilitação conduz também as etapas de moldagem em gesso e ajustes do dispositivo, garantindo que as particularidades anatômicas observadas nos exercícios sejam transferidas para a geometria final do encaixe.

Com a prótese estruturada, o processo avança para o alinhamento estático e dinâmico, realizado diretamente no ambiente residencial através do atendimento Home Care. Realizam-se ajustes nas inclinações, rotações e alturas dos componentes para equilibrar o centro de gravidade do indivíduo. O treino de marcha subsequente reeduca o controle postural, fortalece o core e restabelece o equilíbrio motor. Desenvolver esse treinamento dentro de casa permite que o paciente supere obstáculos reais da rotina — como desníveis de tapetes, rampas e corredores estreitos —, consolidando sua independência funcional de forma prática.